Por que a soma dos balanços não basta
- Duas sociedades do mesmo grupo que negociam entre si registram a mesma operação duas vezes, uma como receita e outra como custo. Somadas sem ajustes, as cifras podem inflar receitas e despesas. O efeito no lucro depende da operação, inclusive de eventual margem interna ainda contida em ativos do grupo.
- Sem consolidar, o que se lê é a soma das sociedades, e não a posição do grupo: um saldo a receber de uma sociedade aparece ao lado do saldo a pagar da outra, os dois dentro do mesmo conjunto.
- O processo responde a três perguntas: quais sociedades entram, com que método cada uma se integra e o que resulta disso nas demonstrações do grupo.
As quatro fases do processo
- Definir o perímetro. O perímetro reúne as sociedades cujas demonstrações entram no conjunto. O critério é o controle, e controle, controle conjunto e influência significativa não são a mesma situação. O que entra em cada caso depende das regras aplicáveis, e essa decisão não é deste verbete.
- Escolher o método de integração. O tratamento depende do controle e dos direitos do acordo. Uma controlada é consolidada linha a linha; uma coligada ou um empreendimento controlado em conjunto pode exigir equivalência patrimonial. Uma operação conjunta considera os direitos sobre ativos e as obrigações por passivos. Controle conjunto não determina, por si só, consolidação proporcional.
- Homogeneizar e agregar. As demonstrações chegam de sistemas, moedas e critérios diferentes. Antes de somar, o grupo alinha os critérios contábeis e a moeda de apresentação, e depois agrega os saldos.
- Eliminar as operações internas e apurar as participações que não controlam. Com os saldos agregados, as operações entre sociedades do perímetro são neutralizadas, para não contar duas vezes o que circulou por dentro. Depois se apura a parte do resultado e do patrimônio que pertence a sócios de fora do grupo.
Exemplo ilustrativo: equivalência patrimonial de uma participada
Exemplo ilustrativo, com valores em reais. A controladora Tucano detém 25% da Buriti e exerce influência significativa sobre a participada, sem controlá-la. Por isso a Buriti não é integrada linha por linha: a participação é avaliada por equivalência patrimonial. No início do período, o patrimônio líquido da Buriti era de R$ 4.000.000,00 e a participação estava registrada em R$ 1.000.000,00.
No período, a Buriti apurou lucro de R$ 640.000,00, e a fração de 25% corresponde a R$ 160.000,00, reconhecida como resultado de equivalência patrimonial. A participação sobe para R$ 1.160.000,00. A Buriti distribuiu R$ 240.000,00 em dividendos, e a fração de 25%, que é R$ 60.000,00, reduz a participação, porque dividendo não é receita nesse método.
Verificação aritmética: R$ 1.160.000,00 menos R$ 60.000,00 = R$ 1.100.000,00. O mesmo número aparece pelo lado da participada: o patrimônio líquido final da Buriti é de R$ 4.400.000,00 e 25% desse valor dá R$ 1.100.000,00. Se a Tucano integrasse a Buriti linha por linha, o conjunto somaria ativos e passivos de uma sociedade que o grupo não controla.
O que fica fora da consolidação financeira
O que sai do processo é um conjunto completo de demonstrações consolidadas acompanhado das notas explicativas, e não um relatório interno de gestão. O conjunto se lê como as demonstrações de uma única entidade econômica.
Consolidação fiscal é outro objeto: nomeia um regime tributário, com regras próprias de apuração. Consolidação de tesouraria também: reúne as posições de caixa do grupo em uma única visão, para responder quanto o grupo tem disponível.
Ficam em outros verbetes o lançamento de eliminação, que neutraliza uma operação interna específica, a contabilidade entre sociedades do mesmo grupo, que é a matéria-prima que a consolidação consome, e a conciliação entre empresas.
Revisar os saldos enviados para a consolidação
A equipe consolidadora precisa saber quem revisou cada saldo, quais documentos o sustentam e que divergências permanecem abertas. A certificação de contas na Simetrik organiza essas evidências por conta e período, com responsáveis pelas variações pendentes.
Esse controle prepara os dados de entrada. A avaliação de controle, a conversão de moedas, as participações de não controladores e os ajustes de consolidação exigem seu próprio processo contábil. A conciliação dos saldos recíprocos ajuda a investigar diferenças entre entidades antes do envio para o reporte do grupo.